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Brasileirão

O ídolo Fábio e suas mais de 900 páginas escritas no Cruzeiro

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Fábio, ídolo do Cruzeiro, completou 900 partidas pelo clube mineiro no começo do mês de outubro. A história do goleiro no time celeste é uma das mais bonitas do século em clubes brasileiros e o atleta é considerado uma lenda na parte azul de Minas Gerais.

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O jogador com maior número de partidas na história do Cruzeiro, com 903, Fábio continua construindo seu caminho no clube, que começou em 2000. Seguido por Zé Carlos (633 jogos) e Dirceu Lopes (610), o goleiro dificilmente será alcançado por algum atleta.

Fábio é ídolo incontestável no Cruzeiro Esporte Clube. Conquistou 12 títulos com a camisa da Raposa, sendo cinco nacionais. Esteve no Cruzeiro nas maiores conquistas do clube nos últimos anos. Em contrapartida, participa do pior momento da história, sendo importantíssimo na liderança do elenco e fazendo defesas decisivas.

Relembre conosco os principais momentos do goleiro com a camisa do Cruzeiro.

A primeira passagem no Cruzeiro

Fábio chegou ao clube celeste no começo de 2000, vindo do Athletico. No primeiro ano do goleiro no Cruzeiro, foram poucas as aparições de Fábio no time titular, já que quem tinha a posição absoluta era André. O ídolo estreou pelo time em março, jogo em que o Cruzeiro ganhou do Universal por 2 a 1.

A passagem do goleiro não foi longa e o sucesso, comparado ao que viria nos próximos anos, não aconteceu. Fábio ganhou a Copa do Brasil pelo Cruzeiro jogando na reserva e logo no final da temporada foi emprestado ao Vasco, que atuou até 2004.

O retorno para Minas Gerais

Em 2005, Fábio retornou ao Cruzeiro depois de boas atuações na equipe carioca. As duas próximas temporadas seriam de bons rendimentos do goleiro e a titularidade dentro do time. Foi em 2007, talvez, um dos anos mais difíceis da carreira do jogador, falhando algumas vezes e sendo contestado. Porém, em 2008, Fábio assumiu a titularidade indiscutível e aí, de fato, começou a fazer história no clube.

A história sendo escrita

Há quem diga que o melhor momento de toda a carreira do goleiro foi entre 2009 e 2014. Eu arisco em falar que o bom momento de Fábio se arrasta até os dias atuais que, apesar da fase horrível do Cruzeiro, o Camisa 1 salva o time em diversos momentos.

Em 2009, os famigerados jogos da final da Libertadores, contra o Estudiantes, – que causam arrepios aos cruzeirenses até hoje – mostraram a grandiosidade de Fábio. No jogo de ida, na Argentina, o goleiro fechou o gol, não deixando o time adversário sair com a vantagem. É fato que o Cruzeiro acabou perdendo o título, mas não anulou as excelentes atuações e a história escrita pelo ídolo.

2010 foi um ano gigante do goleiro pelo Cruzeiro. O time quase foi campeão brasileiro e Fábio foi muitas vezes protagonista de muitos jogos, fazendo defesas milagrosas. Nesse ano em que a grandeza e o brilho do goleio foram ainda mais valorizados, diversos times procuraram o camisa 1. Porém, ele escolheu permanecer no Cruzeiro.

No ano de 2011, o time mineiro começou embalado após bater na trave do Campeonato Brasileiro. Fez uma campanha quase impecável na fase de grupos da Libertadores e, como sempre, Fábio foi um dos protagonistas. No entanto, ao longo da temporada a história foi sendo mudada e o Cruzeiro se viu num pesadelo, quase caindo para a série B. Conseguiu escapar na última rodada, contra o maior rival. Um respiro para o torcedor e para Fábio, que obviamente não queria ver o time que defendia há 6 anos interruptos cair para a segunda divisão.

Em 2012, apesar dos problemas do Cruzeiro e de mais uma temporada ruim, Fábio continuou em alto nível. Foi a partir desse ano que o goleiro viveu seu ápice no clube.

O auge da carreira

2013 e 2014 foram os anos dos sonhos de um goleiro que já vinha se mostrando gigante. Se nos anos anteriores os rivais tinham como argumento que Fábio não havia ganhado um título expressivo sendo titular do Cruzeiro, o bicampeonato brasileiro veio para calar as bocas dos críticos.

Considerado o melhor goleiro nos dois anos, titular absoluto e ainda mais ídolo, Fábio escreveu mais uma página heroica e imortal na sua história em Minas Gerais. Incontestavelmente falando, o goleiro foi o maior líder dos dois títulos. Dois anos mágicos para um goleiro que já vinha sendo ídolo dentro do Cruzeiro.

Nos dois anos seguintes, o time não viveu uma fase boa. Em 2015, a equipe passou boa parte do Brasileirão na parte de baixo da tabela e conseguiu se recuperar no final. No entanto, foi em 2016 que, além da fase ruim do Cruzeiro, Fábio também se viu distante dos gramados.

Em agosto, em um jogo contra o Coritiba, o goleiro se machucou, sofrendo uma torção no joelho. Sendo substituído pelo reserva Rafael e sem jogar por oito meses, a carreira de Fábio foi dada por acabada por muitas pessoas, já que ele já tinha 36 anos. Porém, mais uma vez, ele superou as críticas e voltou para continuar sua grandiosa história dentro do Cruzeiro.

Bicampeão da Copa do Brasil

Após voltar de lesão, Fábio recuperou a titularidade e foi essencial na conquista da Copa o Brasil de 2017. Pegou pênalti na semi e na final da competição. Em 2018, mais uma história escrita. Na partida das quartas de final, contra o Santos, o goleiro pegou os três primeiros pênaltis batidos pelo Peixe e garantiu mais uma classificação, que foi fundamental para a conquista do hexacampeonato.

O pior ano da história do Cruzeiro

Estando presente em conquistas recentes, Fábio também presenciou o ano que marcou o primeiro rebaixamento do Cruzeiro. Marcado por corrupções e histórias que até hoje são mal contadas, 2019 foi o pior ano da história. E, apesar das tantas defesas em momentos difíceis de Fábio, a camisa foi manchada por bandidos que não respeitaram a instituição.

Ídolo incontestado em 2020

O Camisa 1 acaba e completar 900 partidas pelo Cruzeiro. É muita coisa. E nem sempre o torcedor vê isso. É uma das histórias mais bonitas de um clube com jogador. Há 15 anos interruptos, é o Fábio que vemos defendendo o gol do Cruzeiro.

No Campeonato Brasileiro da Série B, o time vive uma fase que nem nos piores sonhos os cruzeirenses poderiam imaginar que viveria. Em meio a jogadores perdidos dentro de campo, a dívida aumentando e as situações polêmicas envolvendo a instituição, temos o Fábio. Muitas vezes aparentemente isolado dentro de campo, o goleiro continua sua grande fase, apesar do momento ruim do time.

O goleiro mostra que é possível, sim, um jogador atuar realmente pelo amor ao clube e não apenas ao dinheiro. Com atuações monstruosas nos últimos jogos – defendendo um pênalti, contra o Juventude, que evitou mais uma derrota do time; além da grande defesa nos últimos minutos do último jogo do Cruzeiro, contra o Operário -, Fábio tenta ajudar a equipe a sair dessa situação e agora conta com o novo técnico campeão do mundo, Felipão, que pode ajudar demais o Cruzeiro.

A história de amor do goleiro com o clube se estende à família. Pablo, filho de 15 anos do ídolo, já joga nas categorias de base do Cruzeiro. Seguindo os caminhos do pai, o jovem atleta atua também como goleiro e se vê na expectativa para talvez, no futuro, herdar a camisa 1 do pai que já é tão vitoriosa.

 

 

Fábio

Cruzeiro/Divulgação

Esperança em dias melhores, rumo aos 1000 jogos e paixão por uma camisa que já o possibilitou tantas alegrias: entre as diversas entrevistas já concedidas pelo goleiro, Fábio sempre deixou claro que a palavra “amor” resume bem sua história com o Cruzeiro.

40 anos, 903 partidas e muitas páginas heroicas e imortais: felizardos somos nós que presenciamos de perto essa “era Fábio”. Acabando? Não sei. Mas sei de uma coisa: alguns torcedores do Cruzeiro só perceberão a grandeza do maior ídolo da história deste clube quando ele aposentar.

https://www.youtube.com/watch?v=xsXgXJm1wns

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