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Futebol Alemão

O time de apenas 11 anos nas quartas da Champions League

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Reprodução: Site oficial/RB Leipzig

Em meio a clubes gigantes e tradicionais da Europa, conheça o RB Leipzig, o time alemão de apenas um pouco mais de uma década que disputa uma vaga rumo às semifinais da Champions League. Por que será que a equipe alcançou tanto sucesso em tão pouco tempo?

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A Champions League deste ano está diferente em diversos aspectos. Além das mudanças feitas devido à pandemia, chegamos às quartas de final com seis times que nunca conquistaram a competição (apenas Bayern de Munique e Barcelona já ergueram a orelhuda). Além desse fato, no meio de 32 times que começam disputando a maior competição de futebol do mundo, temos o RB Leipzig, a equipe alemã de apenas 11 anos que busca fazer história.

Tudo começou quando a empresa de energéticos Red Bull –que já tinha o controle de outros quatro clubes de futebol- comprou o SSV Markranstadt, equipe que estava na quinta divisão da Alemanha, com o objetivo de elevá-la até a série A para conseguir bons retornos financeiros. Um clube alemão, para jogar na quinta divisão, necessita uma licença para jogar. Caso não consiga, tem que iniciar na Kreisklasse (oitava divisão). Por isso a escolha da Red Bull em comprar o SSV Markranstadt, já que ele estava inserido na liga.

No entanto, a empresa decidiu transferir o time para Leipzig, uma cidade da Alemanha que tem uma rica história no futebol, mas o estado da popularidade do esporte no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 estava fraco, com nenhuma equipe da cidade disputando a Bundesliga há muitos anos. Com isso, houve mudanças na imagem do clube, principalmente no nome e no escudo. A Associação Alemã de futebol (Deutscher Fußball-Bund) não permite que o patrocinador das equipes faça parte dos nomes, a menos que a empresa seja dona do clube há mais de 20 anos. Então, a Red Bull criou um trocadilho com as siglas RB e o nome do novo clube milionário passou a ser RB Leipzig (RB significava “Esporte com bola na grama”).

Champions

Timo Werner (Reprodução: Instagram oficial/RB Leipzig)

E aí começava a história desse time que rendeu tantas polêmicas na Alemanha (isso ainda vai ser discutido por aqui). Na temporada 2009/10 o RB Leipzig disputou a quinta divisão e, já de cara, foi campeão! Depois disso, a equipe passou três anos na quarta (sendo campeão no último deles), um ano na terceira e dois na segundona. E foi na temporada 2016/17 que o clube da Red Bull jogou, pela primeira vez, a Bundesliga. Inclusive, nesse ano o time ficou em segundo lugar da competição, ficando à frente até de times alemães fortes e tradicionais, como Borussia Dortmund e Bayer Leverkusen. Chegou a jogar a Champions League na temporada seguinte, porém foi eliminado na primeira fase, ficando em terceiro lugar de seu grupo. Disputou a Europa League em 2018/19 (chegou até às quartas de final quando perdeu para o Olympique de Marselha). Mais uma vez, fez uma campanha muito boa na Bundesliga e se classificou para a Champions novamente. E aí chegamos no momento atual, em que o time disputa uma vaga para as semifinais contra o Atlético de Madrid.

Os times da Red Bull são famosos por contratar jogadores baratos e vendê-los anos depois para os gigantes por preços altíssimos. Timo Werner, o principal nome do RB Leipzig nos últimos anos, foi o exemplo mais concreto disso no time alemão. Foi comprado por 10 milhões de euros (a maior contratação da história do clube até então) em 2016 e vendido nessa última janela de transferência para o Chelsea por 60 milhões de euros (seis vezes mais que o valor que foi pago pelo Leipzig, há quatro anos). Ainda, o clube confia demais na base e na formação de profissionais que podem render excelentes retornos financeiros e dentro de campo, também. Com atualmente 16 times juvenis (incluindo três times femininos), nos últimos quatro anos o clube alemão construiu uma divisão completa para os grupos entre 8 e 19 anos, que podem treinar nos campos do centro de treinamento do time.

No entanto, como nem tudo são flores, o Leipzig pode ser considerado a equipe “mais odiada” da Alemanha pelos torcedores do país. Desde 2016, quando jogou sua primeira temporada na Bundesliga, aconteceram diversos protestos nas torcidas contra o time da Red Bull, especialmente com os dizeres “Matem os touros”, que ironizava a rápida ascensão do time no país. Tudo isso aconteceu porque, na Alemanha, há uma rejeição muito grande a empresas serem donas de clubes (inclusive a federação alemã só permite que seja assumido até 49% do controle de times de futebol). Um clube que não tinha relevância no campo esportivo e agora luta com os demais e se torna forte devido a esse artifício é algo que, para os alemães, vai contra tudo que se enxerga como tradição e construção de um clube. Com isso, para muitos torcedores do país, o RB Leipzig é considerado uma equipe “artificial”.

De fato, não é comum vermos na Alemanha um clube sendo comprado e controlado por grandes empresas e empresários, ao contrário do que é visto em outros países da Europa (o próprio Chelsea, da Inglaterra, que tem o russo Roman Abramovich como dono desde 2002). Porém, em uma época em que o dinheiro está sendo dominado no mundo do futebol, será que os torcedores alemães terão que se adaptar com a nova realidade do esporte ou continuarão abominando a grande ascensão do RB Leipzig em cenário continental?

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