Entre em contato conosco

Futebol Inglês

Os desafios e os avanços do futebol inglês até se tornar o melhor do mundo

Published

em

Inglês

É inegável que a Premier League é considerada a melhor liga da Europa. Porém, o processo até chegar no auge foi longo e, principalmente, trabalhoso. O caminho e a capacidade para superar estádios deteriorados e tragédias dentro do futebol do país tem como resultado, hoje, a liga de futebol mais vista no mundo.

Compartilhe esta publicação

A temporada 2020/2021 da Premier League está perto de começar. O bom futebol inglês e a qualidade dos estádios são uns dos principais fatores que fazem dessa competição a mais esperada entre admiradores do mundo inteiro. No entanto, a história nos mostra que nem sempre foi assim.

Na segunda metade do século XX –especialmente na década de 80-, o futebol inglês sofria uma grave crise financeira e de qualidade. O campeonato não era considerado um dos melhores da Europa (longe disso), e países como Espanha e Itália se destacavam muito mais no esporte do que a Inglaterra. Os estádios ingleses não tinham grande infraestrutura para jogos, os campos eram ruins e, principalmente, a torcida era violenta e episódios de brigas e confusões eram muito comuns no país, cenas que hoje são totalmente raras e abominadas.

Outro fator que prejudicava a qualidade do futebol inglês era a dificuldade dos dirigentes em aceitar atletas estrangeiros nos times. Se italianos e brasileiros se destacavam nos outros países, a Inglaterra insistia em ter, em grande maioria, britânicos, tendo quase um preconceito com atletas de outras nacionalidades. Um exemplo bem claro disso é que o último campeão do campeonato inglês antes de se tornar Premier League (1991/1992), o Leeds tinha 90% do seu elenco jogadores britânicos. Fazendo uma comparação com o momento atual, no staff do Liverpool (último campeão), de 36 atletas, apenas 10 são ingleses.

Um dos estopins para a alerta de que o futebol da Inglaterra caminhava a passos largos rumo à decadência total foi a Tragédia de Heysel. Em 1985, na final da Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League), a partida entre Liverpool e Juventus se tornou um terror com centenas de pessoas feridas e 39 mortes. O confronto se deu início pela torcida do time inglês, principalmente. O grupo que é chamado de “hooligans” (vândalos e fanáticos pelos clubes que sempre se envolviam em violentas brigas. Infelizmente, surgiram na Inglaterra desde o século XIX) já vinha provocando a torcida do time italiano dias antes do jogo e, sem medidas de segurança necessárias, o terror se instaurou. A maioria dos óbitos foram de fãs da Juventus. Com esse episódio, a UEFA considerou o Liverpool como culpado e puniu todos os clubes da Inglaterra: nenhum time inglês poderia jogar nenhuma competição europeia por 5 anos (os Reds foram punidos com 6).

Quatro anos depois, a Inglaterra sofreu a sua pior tragédia envolvendo o futebol da história: o desastre de Hillsborough. Mais uma vez, a falta de segurança e estádio sem nenhuma infraestrutura tiveram consequências gravadas na história. A semifinal da Copa da Inglaterra de 1989, entre Liverpool e Nottingham Forest durou apenas 6 minutos. O jogo seria disputado em campo neutro e a torcida dos Reds, apesar de ser maior, tinha menos espaços reservados na arquibancada. Isso, obviamente, gerou um grande problema. Muitos mais torcedores apareceram no estádio e a segurança responsável não conseguiu impedir a entrada dos fãs do Liverpool. Com isso, o dobro de torcedores entrou na área da arquibancada destinada ao clube. Com um espaço tão pequeno abarretado de gente, logo no começo do jogo a confusão se instaurou e muitos torcedores foram esmagados e asfixiados. O resultado foi 95 mortes e 700 feridos.

Com tantas tragédias acontecendo no país, a Inglaterra se viu obrigada a mudar, principalmente na segurança e na organização dos eventos futebolísticos. Em fevereiro de 1992, os clubes da elite inglesa decidiram se desvincular da Football League (a entidade que controlava todas as divisões do país). Criaram uma liga independente com dois grandes pilares: garantia de um futebol seguro e sem violência e grande rentabilidade aos clubes para que consigam contratar os melhores jogadores e se destacarem no futebol mundial. Foi feito o Relatório Taylor, um documento que expôs as graves consequências da Tragédia de Hillsborough e recomendações firmes sobre como seria a segurança nos estádios e a organização, com o objetivo de acabar com a violência que assolava o futebol.

E deu certo. Durante anos, patrocinadores ajudaram a competição a crescer absurdamente e, desde 2016, devido ao tamanho do sucesso da Premier League, ela já se sustenta sozinha, sem um grande patrocinador. O grande diferencial da liga se dá justamente pela distribuição de valores de transmissão entre os clubes: 50% da receita é compartilhada igualmente entre todos os clubes. Assim, até aqueles que caem para a segunda divisão e não tem grande retorno financeiro são ajudados na parte financeira. O Wolverhampton é um time que prova como a boa distribuição de dinheiro aumenta a qualidade da Premier League. Os Wolves subiram para a primeira divisão há dois anos após passarem várias temporadas sem jogarem a Premier League. Na última temporada, incomodou times do Big Six na tabela e ficou à frente do Arsenal. Nessa semana, o time contratou o atacante do Porto, Fábio Silva, por 40 milhões de euros, valor consideravelmente alto para quem jogava a Championship até uns anos atrás.

A questão da violência foi mais um dos problemas controlados na Inglaterra. Apesar dos hooligans ainda existirem, quem participa de confusão nos estádios ingleses é automaticamente punido e proibido de frequentá-los. Hoje, inclusive, a passividade da torcida é tão grande que os torcedores, ao assistirem aos jogos, ficam muito perto do campo. E, além desse controlo massivo da violência, alguns projetos sociais são feitos no país. O Premier League Primary Stars é muito famoso. O programa envolve a educação primária e ajuda milhares de crianças a desenvolverem habilidades por meio de recursos didáticos gratuitos.

A Premier League, hoje, é transmitida para mais de 180 países. É a liga de futebol mais assistida no mundo. Com um passado manchado por problemas financeiros e de segurança, a Inglaterra mostra que uma boa organização muda a realidade do esporte. Essa liga envolve paixão, qualidade e uma lista muito grande de clubes exemplos na Europa. A minha competição de futebol favorita do mundo está de volta e eu não poderia estar mais animada para este retorno.

 

Compartilhe esta publicação