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Fórmula 1

O caso Racing Point e os dutos de freio

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Equipe foi multada pela FIA e perdeu 15 pontos

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Que os carros de 2020 da Racing Point são melhores que os do ano passado é um fato e logo no primeiro final de semana da temporada ficou muito claro que a equipe definitivamente havia evoluído, e muito. Mas a evolução não parece ser de desenvolvimento única e exclusivamente responsabilidade dos engenheiros da equipe, o RP20 é muito semelhante ao carro da Mercedes W10, de 2019, vale lembrar que a equipe alemã é a provedora dos motores da Racing Point. As similaridades são tantas que muitos estão chamando o RP20 de “Mercedes cor de rosa”.

A evolução e rápida escalada da equipe britânica definitivamente chamou a atenção das outras equipes do médio escalão, principalmente da rival Renault. A equipe francesa foi a primeira a questionar a diferença de desempenho da Racing Point e entrar com um protesto contra uma peça específica do RP20, o duto de freio.

Racing Point

Comparação dos dutos de freio da Racing Point e da Mercedes/ Foto: Motorsport

O primeiro protesto veio logo depois da segunda etapa de 2020, Grande Prêmio da Estíria, e se repetiu nas etapas da Hungria e Inglaterra. Sendo o primeiro aceito pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo na sexta-feira, sete de agosto. O órgão considerou a equipe britânica culpada por ilegalidades no processo de design dos dutos de freio traseiros.

“Isso porque embora tenham sido projetados com os mesmos materiais, a Racing Point não estava refinando um componente que já havia sido incorporado ao DNA do RP19 (carro de temporada anterior). Em vez disso, eles estavam – aos olhos dos comissários – introduzindo um componente completamente novo para o RP20, que sabia que agora estava classificado como uma parte listada”, explicou a FIA através de texto no site da Fórmula 1.

Como resultado a Racing Point perdeu sete pontos e meio por carro, total de 15 pontos e foi multada em € 200 mil (R$ 1,26 milhão) por carro, somando € 400 mil (cerca de R$ 2,5 milhões). Quanto aos outros dois protestos da Renault contra o RP20, a equipe foi repreendida pelo uso da peça nos carros em ambas corridas.

Apesar da decisão, os comissários da FIA vão permitir que a equipe continue usando os dutos de freio, pois entendem que não existe tempo real para que eles sejam redesenhados ou refeitos e que o que foi aprendido pela equipe seja “desaprendido”. A punição gerou diversas polêmicas. A Mercedes se coloca ao lado da Racing Point, mas Ferrari, Renault, McLaren e até a Williams, que também usa motores da equipe alemã, já disseram que tem intenção de protestar a decisão da federação e querem uma punição mais pesada.

“Eu acho que isso é só a ponta do iceberg, por enquanto só foi achado nos dutos de freio. Mas quando eles dizem que fizeram tudo isso através de fotografia e fica provado que não, você tem que questionar o que mais naquele carro é contra as regulamentações técnicas e desportivas. Por isso acho que deve ser melhor investigado”, alegou Zak Brown, diretor executivo da McLaren.

“Como uma equipe que sempre se orgulhou de lutar para manter vivo o DNA deste esporte, nós acreditamos que a lista de partes listadas deve ser protegida e equipes deveriam desenhar e produzir suas próprias peças relacionadas a performance de seu carro, porque isso é o que diferencia as equipes e as fazem bem sucedidas, então temos que fazer o que podemos para proteger isso”, declarou Claire Williams, chefe de equipe da Williams.

“O que seja que as outras equipe acham que que é legal, não existe dúvida sobre isso. Talvez tenha sido uma brecha (na regulamentação), e na Fórmula 1 tudo é sobre explorar brechas legais, ou não foi e eles perderiam o apelo na corte (da FIA). Eu acho que um duto de freio traseiro não tenha sido a evolução que levou a Racing Point de décimo para sexto no grid”, analisou Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes.

Racing Point

Foto: Fórmula 1

Mas e o que diz a Racing Point? A equipe já deixou claro a intenção de protestar a decisão da FIA, alegando que não acredita que tenha feito algo errado e a punição seria então injusta.

“Ainda estamos tentando digerir isso e precisamos fazer alguns questionamentos para conseguir um esclarecimento melhor. Convidamos a FIA em março para vir e ver tudo o que fizemos. Tivemos transparência total. Depois disso, eles nos escreveram dizendo que éramos totalmente complacentes. Então isso é um pouco decepcionante. No entanto, agora temos que avaliar a sanção que foi dada. A FIA reconheceu que as regras de partes não listadas indo para partes listadas estavam longe de ser claras e ambíguas e podem ser vistas de dois lados diferentes”, disse o chefe de equipe da Racing Point, Otmar Szafnauer.

Já o dono da equipe, o empresário canadense Lawrence Stroll revelou estar extremamente desapontado e bravo com a sugestão de que teriam traído a regulamentação e chateado com o posicionamento de parte das outras equipes.

“Eu nunca trapaceei em nada na minha vida. Essas acusações são completamente inaceitáveis ​​e falsas. Minha integridade – e a de minha equipe – não podem ser questionadas. Todos na Racing Point ficaram chocados e desapontados com a decisão da FIA e continuamos acreditando em nossa inocência. Não houve orientação em vigor pela FIA sobre a transição de itens não listados para listados, e a Racing Point recebeu em março de 2020 uma confirmação por escrito da FIA com relação ao nosso cumprimento sobre o assunto. Além do fato claro de que o Racing Point cumpriu os regulamentos técnicos, estou chocado com a forma como a Renault, McLaren, Ferrari e Williams aproveitaram esta oportunidade para apelar e, ao fazê-lo, tentaram prejudicar nosso desempenho. Eles estão arrastando nosso nome na lama e não vou ficar parado nem aceitar isso. Pretendo tomar todas as medidas necessárias para provar nossa inocência. Minha equipe trabalhou incansavelmente para oferecer o carro competitivo que temos no grid. Estou realmente chateado ao ver o péssimo espírito esportivo de nossos concorrentes”, afirmou em declaração postada no site da Racing Point (a declaração completa você confere clicando aqui).

O desenrolar dessa história deve acontecer nos próximos dias e o caso deve seguir para o Tribunal Internacional de Recursos da FIA.

E enquanto isso, o RP20 segue com os dutos de freio traseiros mantidos e a Fórmula 1 segue para Espanha, dando início as atividades do GP de Barcelona nesta sexta-feira (14).

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